O passado cobra uma conta que compromete nosso futuro

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O Tempo

24/05/2017

No momento em que o Brasil ensaiava sair da pior recessão de sua história, ainda recuperando-se do mais trágico e incompetente governo que já passou por Brasília, explode o escândalo das gravações do empresário Joesley Batista, do grupo JBS.

Tudo, do começo ao fim, é uma opereta para deixar o presidente da República ao alcance de um diálogo claramente armado para incriminá-lo. A insistência de Joesley em vê-lo deveria indicar alguma espécie de problema.

Tudo indica que o generoso acordo de delação premiada feito entre a Procuradoria Geral da República e Joesley Batista tenha embutido a entrega da cabeça do presidente Michel Temer, a partir de uma operação pré-combinada. Uma espécie de teste de fidelidade do João Kleber. Adiante, aparece a história de uma propina de R$ 480 milhões a ser paga em 20 anos. Quem, em sã consciência, acredita que, em tempos de operação Lava Jato, possa existir uma situação que gere uma propina tão volumosa e de tão longo prazo?

Outro ponto crítico é o papel de Rodrigo Santos da Rocha Loures. Teria ele feito o que fez a mando de alguém? Por que teria recebido o dinheiro? A que pretexto? Como, a esta altura dos acontecimentos, alguém se expõe tanto?

Não deixa de ser patético Rodrigo Loures correndo com uma mala e jogando-a no porta-malas de um carro, olhando para os lados e entrando num táxi. Nada mais bandeiroso. Tanto quanto os policiais deixarem o carro ir embora sem conseguir segui-lo. Pareciam Fucker e Sucker, policiais do “Casseta & Planeta”.

A divulgação pela imprensa de que Temer teria concordado com o pagamento de mesada ao ex-deputado Eduardo Cunha, hoje preso, também foi claramente manipuladora. Apesar de o diálogo – como um todo – ser trágico, não houve concordância com o pagamento de mesada. Ao insinuar que controlava procurador e juízes, Joesley deveria ter sido repreendido de pronto pelo presidente, e a afirmação ser alvo de investigação posterior.

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, também teve parcela significativa nessa trágica comédia de erros. Deveria ter tido cautela, tratando-se de um presidente da República. Parece que ele e o procurador geral da República, Rodrigo Janot, queriam marcar logo uma posição sobre o tema sem sequer tomar o cuidado de investigar a veracidade das gravações de Joesley.

O vazamento da informação, mais um entre uma dezena no âmbito dos escândalos recentes, deveria provocar uma megainvestigação séria que a PGR não parece querer empreender. A midiatização da Justiça, e o vazamento é um de seus instrumentos, faz parte da comédia de erros.

Assim como o presidente deve ser investigado, caberia uma investigação profunda do comportamento da Justiça. Inclusive em relação ao generoso acordo de delação com os irmãos Batista. Será que o Conselho Nacional de Justiça tem coragem? Quem paga o pato pelos erros de todos os envolvidos é o povo brasileiro.

As tão necessárias reformas ficarão adormecidas? Provavelmente, sim. Em um imenso “esforço de reportagem”, a reforma trabalhista poderá avançar. Já a da Previdência deve ficar paralisada. O ideal seria o Congresso prosseguir debatendo-as e aprovando-as. Mas com certeza o que já era difícil poderá ficar impossível.

Para o presidente, o atual mandato foi uma tragédia. Recessão, corrupção, impeachment e escândalos. Foi o passado cobrando uma conta alta por nossa omissão diante da política na hora de escolher os políticos que comandam nossos destinos. Uma conta que atrapalha nosso futuro.

Enviado por Murillo de Aragão 24, maio, 2017 | 14:17

Em meio a uma semana difícil, Michel Temer obteve alguns alívios no fim de semana

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22/05/2017

1. Seu pronunciamento de sábado inflou a indignação contra os irmãos Batista e o acordo de delação premiada que fizeram. Tanto o PGR quanto o ministro Fachin ficaram pressionados;

2. Dois dos principais aliados do governo – DEM e PSDB – cancelaram reunião para discutir apoio ou desembarque do governo. Temer ganhou tempo para costurar apoios;

3. As manifestações de rua foram pontuais, fracas e monopolizadas pelos adversários das reformas. Não mobilizaram a população.

4. Apesar do cancelamento do jantar de apoio, houve presença expressiva de lideranças políticas no domingo à noite no Palácio Alvorada.

Os desafios da semana para o governo serão imensos. Em especial, no STF que avalia o prosseguimento das investigações. Mas o essencial é que novas noticiais não abalem ainda mais a cena política que prossegue muito difícil para o governo.

Enviado por Murillo de Aragão 22, maio, 2017 | 16:07

Tá chovendo para cima

Chuva (Foto: Arquivo Google)

19/05/2017

Blog do Noblat

O presidente Temer falou. Pagou pra ver. Jogou a crise pro campo jurídico, terreno de sua especialidade. Prometeu provar que não comprou o silêncio de ninguém. Terá condições de parar a engrenagem?

Temer tornou-se um político frágil numa velocidade jamais vista na República. De presidente poderoso e reformador, em questão de minutos, teve seu poder dramaticamente reduzido.  A ponto de muitos de seus aliados considerarem sua situação insustentável e o mercado ter ficado muito desanimado. Tudo com base na  crença de que “O Globo tem mais” a falar sobre.

Michel Temer, como homem de coragem, foi um dos poucos a sair a público para se defender e defender o governo. O outro foi Eliseu Padilha. Apesar de Temer ter sido  firme e vigoroso,  seus aliados ainda estão em estado de choque.

Mas o tamanho da crise o torna o passageiro da crise. A segunda vítima das denúncias, é o processo de reformas. Sem definir o futuro de Temer nada vai acontecer.  A terceira vítima poderá ser a maioria que Temer tinha a seu favor no TSE.

Moro em Brasilia há 30 anos, sou testemunha de todas as categorias possíveis e imagináveis de crise, já vi ministros e presidentes caírem de forma espetacular, sei como se formam as metasteses politicas e os caminhos de cura.

A essência desta, porém, é quase o “sobrenatural da silva” dos acontecimentos, como diria Nelson Rodrigues.  Deve ser por isso que um amigo de infância me telefonou ontem à noite (quarta-feira) depois do JN dizendo: “Tá chovendo pra cima”.

Enviado por Murillo de Aragão 19, maio, 2017 | 14:28

Uma luta de morte no Planalto Central

 Luta de braço  (também conhecida como braço de ferro ou queda de braço) (Foto: Arquivo Google)

18/05/2017

Blog do Noblat

A situação é mais ou menos assim: se a Câmara dos Deputados não aprovar a Reforma da Previdência, as frustrações econômicas serão imensas. As repercussões econômicas serão imediatas e afetarão tanto o ritmo da queda dos juros quanto a entrada de investimentos no país.

Projetos serão adiados à espera do novo presidente. O país ficará um ano e meio em compasso de espera por uma nova administração. O risco-país poderá voltar a subir e as expectativas de crescimento econômico para 2018 serão mais modestas. Enfim, será um balde de água fria nas expectativas para a multidão de desempregados.

Tais aspectos não estão sendo levados em consideração no debate da reforma. O que vimos, até agora, foi uma luta para se manter privilégios ou pura negociação política. Como o governo está cedendo nos pontos de maior resistência, o que sobra é discurso político. Assim, se a oposição às reformas é, basicamente, política, o que temos pela frente?

Seja vencendo, seja com a reforma rejeitada, os votos a serem dados no primeiro turno de sua votação darão o tamanho da base política do governo Temer até o período pré-eleitoral. Ou seja, quem votar contra será tratado como oposição. No caso de rejeição, o governo abandonará qualquer tentativa de votar emendas constitucionais. Governará para proteger “os seus” e dane-se a oposição, inclusive em relação à distribuição de verbas orçamentárias.

Mesmo eventualmente derrotado na Reforma Previdenciária, Temer administrará o restante do governo com uma margem de segurança para não ser muito incomodado, bem como aprovar uma ou outra medida provisória. Não será um governo ruim, mas será fortemente limitado pelas perspectivas fiscais e dependerá de medidas de cunho infralegal para ter algum sucesso.

Caso aprove a reforma logo no primeiro turno, o impacto nas expectativas econômicas será forte. A narrativa da responsabilidade fiscal ganhará ainda mais consistência. Poderemos ver uma subida no preço dos ativos. E, politicamente, Temer e sua base se fortalecerão sobremaneira para enfrentar o período eleitoral. Daí a oposição à reforma ser, na verdade, a antecipação da batalha sucessória.

Assim sendo, tanto a derrota quanto a vitória terão grande impacto na conjuntura política. Tal fato vai determinar a atitude do governo e da oposição frente ao tema. Para a oposição, o fracasso do governo é capital para alavancar seu projeto eleitoral em 2018.

Aceleraria a redução do tamanho da base, mediante a cooptação de dissidentes. O PSB já pratica tal movimento: deseja expulsar os deputados considerados “tucanos” e abrigar aqueles que não apoiaram as reformas e estão na base governista. O partido também quer atrair petistas insatisfeitos para tentar tomar o lugar do PT no coração da esquerda nacional.

Para o governo, a vitória seria a coroação do projeto reformista de Temer, já que ele não mais dependeria de outras votações tão polêmicas. Poderia, inclusive, cogitar a reeleição ou abençoar uma coligação PSDB-PMDB. Sabendo que o seu futuro está em jogo, o governo usará de todas as armas disponíveis para assegurar os 320 votos na Câmara. O jogo vai ser duro e a mensagem é clara: quem votar contra estará fora do governo e abrirá espaço para os que apoiaram. Simples assim.

Enviado por Murillo de Aragão 18, maio, 2017 | 14:45

Reformas: enquanto não ocorre o debate, contrainformação avança

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17/05/2017

O Tempo

As discussões em torno das reformas trabalhista e previdenciária no Congresso deveriam ilustrar um estudo de caso sobre como a informação e a contrainformação prejudicaram esse debate. O governo não foi páreo para enfrentar a guerra de contrainformação deflagrada por aqueles que não querem reforma alguma.

Apesar dos alertas, a questão da comunicação do governo sobre o tema foi deficiente. Tanto por motivos orçamentários, já que o governo Dilma gastou quase toda a verba de publicidade antes de sair, quanto por motivos judiciais, uma vez que as corporações conseguiram, com o apoio velado do corporativismo no Judiciário, barrar a publicidade do governo sobre o assunto.

Para piorar, faltou discernimento para entender que comunicação é muito mais do que ficar na conversinha do círculo íntimo da imprensa de Brasília ou de meia dúzia de formadores de opinião de fora. Comunicação é algo bem mais amplo e envolve práticas que não são nem propaganda, nem assessoria de imprensa.

Outro fator crítico é que a viralização da mentira é muito rápida, demandando um aparato estratégico que permita identificá-la imediatamente para que se possa reagir com eficácia. Seria importante também haver difusores da contrainformação. Mas pouco foi feito.

O resultado é o arrastar da agenda das reformas com uma pesada dose de impopularidade que poderia ter sido atenuada se tivesse havido uma visão estratégica da questão.

O próprio presidente Michel Temer tenta resolver a carência de sua comunicação envolvendo-se diretamente com o tema. Tomou a iniciativa de ligar para comunicadores e se colocar à disposição para explicar o que está sendo feito. A equipe econômica, que já foi mais vocal, parece intimidada pelo debate.

Voltando ao estudo de caso, devemos ver como as reformas foram desconstruídas. E, o pior de tudo, a favor da manutenção de privilégios. Inclusive do fascista imposto sindical, que deveria ser abolido para patrões e empregados em sua forma mandatória. Cada um que dê quanto achar que deve dar, conforme ocorre nas associações que funcionam Brasil afora, com base em contribuições voluntárias.

A desconstrução das reformas mostra uma imprensa tímida em adentrar o debate, com medo de adotar uma postura “patronal” ou chapa-branca, quando deveria estudar a questão a fundo e ver que as regras trabalhistas atuais favorecem a miséria, a fome e o desemprego. E que o sistema previdenciário nacional, como bem disse o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo, promove uma brutal transferência de renda dos pobres para os ricos.

Tudo nas barbas de uma imprensa algumas vezes complacente com o discurso pseudoprogressista de quem é contra as reformas. É uma vergonha a incapacidade de reflexão de nossas elites.

Enquanto a contrainformação corre solta, os aliados das reformas se manifestam aqui e ali. Não há, porém, uma adesão pública e ampla do empresariado, que padece com uma legislação trabalhista arcaica. Existe hoje um quase silêncio constrangedor por parte das confederações empresariais, que se consomem com um impacto pífio na realidade nacional.

Tampouco se divulgam os potenciais benefícios que as reformas podem trazer. Nem há soldados dispostos a dar a cara a tapa no debate. Apenas os relatores e alguns poucos “darcísios perondis” enfrentam de peito aberto o debate.

Vejo com preocupação certa acomodação nas esferas do Judiciário, enleadas com alguns privilégios que a alta magistratura federal não tem, mas que são comuns nos Estados. Portanto, com elites complacentes, o debate viaja ao sabor da coragem de uns e da contrainformação de outros. Assim, corremos o risco de que privilégios sejam mantidos e que, como sempre, a verdade seja completamente sacrificada nos debates.

Enviado por Murillo de Aragão 17, maio, 2017 | 14:41

A corrida contra o tempo para aprovar uma reforma política

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10/05/2017

O Tempo

A aprovação de uma reforma política para valer já nas eleições de 2018 é um desafio para os parlamentares frente ao pouco tempo que se tem até lá para trabalhar a sério essa ideia antiga e necessária. A Câmara vem debatendo a reforma em duas frentes, ambas em comissões especiais. Uma trabalha a elaboração de propostas para uma reforma ampla, que versa sobre vários temas. A outra é mais sucinta e se encontra em estágio mais avançado de análise.

A primeira, por ser de um embrião de propostas que precisam ser aprovadas na Câmara e no Senado, tem poucas chances de prosperar, de modo a valer já no próximo pleito. Além da questão temporal, o mérito dos temas tratados é outro aspecto dificultador, pois envolve muita polêmica.

No entanto, a segunda proposta (PEC 282/2016), já aprovada pelo Senado, necessita apenas da chancela da Câmara para poder vigorar em 2018. Só precisa ser aprovada e promulgada até outubro, um ano antes das eleições gerais.

Essencialmente, seu texto proíbe as coligações entre partidos nas eleições proporcionais (deputado federal e estadual e vereador) a partir de 2020; estabelece cláusula de desempenho para o funcionamento parlamentar das legendas a partir do ano que vem; e estende a obrigatoriedade da fidelidade partidária aos cargos majoritários.

Na visão do relator da matéria, deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), os poucos temas contidos no texto facilitam sua aprovação. Para ele, apenas a cláusula de desempenho parlamentar, também conhecida como “cláusula de barreira”, pode suscitar divergências. Mas a redação da forma como está permite a manutenção de vários partidos, só inviabilizando o funcionamento de autênticos nanicos.

A matéria começará a ser analisada em uma comissão especial a partir desta semana. O colegiado disporá de até 40 sessões para aprová-la, e ela em seguida irá a plenário para votação em dois turnos. Se não sofrer alterações na Câmara, pode ser promulgada. Caso contrário, retorna ao Senado para análise das mudanças.

Porém, não se pode descartar a possibilidade de que a Justiça tome alguma decisão que impacte fortemente as regras eleitorais para 2018. Em especial pelo fato de que a principal fonte de financiamento das campanhas será o Fundo Partidário. Espera-se, no mínimo, que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabeleça regras claras para o seu uso. Em especial, em relação à destinação de recursos para os candidatos promoverem uma campanha cada vez mais cara diante da demanda de recursos, como a internet, por exemplo, na qual ela tende a concentrar-se.

As bancadas da Câmara já são integradas por 28 partidos, dos 35 existentes, e há 57 novas legendas na fila, aguardando decisão do TSE, que na prática transforma a política num negócio lucrativo, alimentado pelo Fundo Partidário.

Dois outros temas também devem ser tratados pela Justiça Eleitoral: a profusão de notícias falsas a partir do intenso uso das redes sociais e a indesejável influência da criminalidade no financiamento via caixa 2. No caso das redes sociais, é amplamente reconhecido o papel decisivo que o Facebook teve nas campanhas de Donald Trump e do Brexit. O tema não pode ser desconsiderado pelas áreas jurídica e política.

Como a disposição do Congresso em promover uma verdadeira reforma política é baixa, a intervenção da Justiça é mais do que esperada frente aos imensos desafios que enfrentaremos nas próximas eleições.

Enviado por Murillo de Aragão 16, maio, 2017 | 15:26

Cuidados para 2018

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12/05/2017

Isto É

A pesar da distância de 2018 e da incerteza do processo, já temos algumas cartas na mesa eleitoral. A mais importante é o fato de que as próximas eleições não contarão mais com as doações milionárias das empresas, por força de proibição do STF. Sem elas, os fundos partidários serão os grandes financiadores das campanhas, o que coloca a direção dos partidos em posição privilegiada. Sem esses recursos bilionários das empresas e com o sentimento antipolítico da população em alta, poderemos ver novos candidatos ganhando campo em detrimento das lideranças tradicionais. O prefeito João Doria (PSDB-SP), um empresário e não um político propriamente dito, retrata bem essa situação, já que sua eleição expressou justamente a rejeição ao antigo na política nacional.

Mas o efeito Doria vai além. E não apenas por ser um nome novo na política. A grande novidade de Doria é a sua forma de se comunicar e de usar muito bem e intensamente as redes sociais.

As campanhas, de ora em diante, serão influenciadas pela dinâmica imposta por ele, tornando-se o campo fértil para a batalha dos candidatos e a disseminação das informações. Tal qual nas eleições americanas.

As próximas eleições presidenciais serão as que apresentarão o maior número de partidos políticos de nossa história. Um absurdo que poderá ficar ainda maior, já que há outra dúzia na lista de espera de registro. Com tais certezas esperamos que o TSE tome as devidas providências.

A primeira seria decidir pela insconstitucionalidade da ampla liberdade de coligações de partidos nas eleições proporcionais, já que isso vai contra o princípio constitucional dos partidos nacionais. As coligações podem ocorrer, desde que verticalizadas nacionalmente. A medida serviria para pôr um pouco de ordem no caos partidário existente hoje.

Três outras providências são óbvias. Criar, desde já, uma força-tarefa na PF para investigar o fluxo de recursos saídos da criminalidade para as eleições, o que já deveria estar sendo mapeado e acompanhado. Outra providência mais do que necessária é o acompanhamento das redes sociais e seu uso nas campanhas eleitorais. Por fim, o TSE deveria estabelecer regras claras para o uso dos fundos partidários nas candidaturas. É uma agenda e tanto.

As coligações podem ocorrer, desde que verticalizadas nacionalmente. A medida serviria para pôr um pouco de ordem no caos partidário existente hoje.

Enviado por Murillo de Aragão 15, maio, 2017 | 15:00

Me engana que eu gosto

Verdade e mentira (Foto: Arquivo Google)

Blog do Noblat

11/05/2017

Disse o poeta T.S. Eliot que “a humanidade não suporta muita realidade”. Por isso as notícias escandalosas, os factoides, as meias-verdades e as mentiras sinceras interessam.

Com o surgimento das redes sociais ficou ainda mais fácil viver na para-realidade, aquela dimensão em que tudo pode ser verdade, mas não necessariamente é.

Entendo a para-realidade como um espaço no qual as dimensões do real e do imaginário convivem como se pudessem ser verdade. Uma espécie de realismo fantástico no qual a humanidade seria uma imensa Macondo.

Nas eleições presidenciais norte-americanas, além da atuação de hackers, as redes sociais foram intensamente utilizadas para disseminar inverdades em relação aos candidatos. Em uma velocidade espantosa, o desmentido, quando chegava, já tinha causado um tremendo estrago.

Na campanha do Brexit, no Reino Unido, a situação foi igualmente espantosa. As redes sociais puderam personalizar as mensagens políticas de forma a que cada segmento eleitoralmente relevante fosse alcançado. Eram mentiras sinceras feitas sob medida.

O acirramento dos ânimos políticos que vivemos hoje no Brasil decorre de uma conjunção de fatores. Dilma Rousseff, com sua arrogância, espalhou mau humor e intolerância pelo país. A crise fiscal e econômica, fruto de sua trágica gestão, aprofundou a intolerância. Por fim, temos a Operação Lava-Jato, agravando o ambiente. O desaguadouro dessas vertentes se localiza tanto na mídia tradicional quanto, principalmente, nas redes sociais.

A profusão de meias-verdades, factoides, mentiras sinceras, calúnias e difamações atinge picos nunca vistos.

Verdades e mentiras combatem minuto a minuto pela internet e, sem dúvida, afetam as mídias tradicionais, influenciando o comportamento da cidadania.

A situação é potencializada pelo que chamo de midiatização da Justiça, que é quando esta só se realiza se atender às expectativas da imprensa. Juízes que votam contra o senso comum são atacados, independentemente de a Justiça estar sendo cumprida. São tempos perigosos que exigem uma educação e uma sensibilidade que não temos.

As eleições de 2018 serão, provavelmente, um campo de batalha no qual a verdade será a grande vítima.

Enviado por Murillo de Aragão 11, maio, 2017 | 16:02

Murillo De Aragão na 11ª conferência legislativa sobre liberdade de expressão

09/05/2017

Murillo de Aragão, cientista político e presidente da Arko Advice, participou da 11ª Conferência Legislativa sobre Liberdade de Expressão.

O evento foi dividido em dois painéis de discussão: o impacto das notícias falsas na democracia e o papel da imprensa na era pós-verdade e o resgate do jornalismo profissional. A pós-verdade foi o termo eleito pela Universidade de Oxford como a palavra do ano de 2016 e trata de acontecimentos em que boatos são tidos como realidade, sem necessitarem de comprovação. Durante os debates, os palestrantes destacaram que a evolução tecnológica e o surgimento das redes sociais potencializaram a propagação de rumores e concluíram que a institucionalização da atividade jornalística profissional é o caminho para combater os chamados “fake news”.

Acúmulo de informações é poder

Em sua participação Murillo de Aragão destacou que a disseminação de informações falsas sempre existiu, bem como a estreita relação entre poder e o controle das informações. Com a evolução das tecnologias da informação o impacto da notícias falsas se ampliou, como foi testemunhado na eleição de Trump e no plebiscito do Brexit. Destacou também que o volume de informação em poder de serviços de redes sociais como Facebook e Google é algo a ser tratado com seriedade. Em seguida, sugeriu que uma auto-regulação aumentaria a precisão de informações difundidas pela imprensa e pelos grandes servidores de redes sociais. Murillo de Aragão alertou também para o risco de que o resultado das próximas eleições no Brasil seja maculado pela disseminação de notícias falsas e disse que as instituições devem adaptar-se e estar preparadas para enfrentar os desafios da velocidade e influência das redes sociais.

Promovida pelo Instituto Palavra Aberta, a Conferência Legislativa sobre Liberdade de Expressão teve apoio institucional da Câmara dos Deputados e do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional (CCS), além do suporte das entidades ABAP, ABERT, ANER, ANJ e Revista Imprensa.

Enviado por Murillo de Aragão 09, maio, 2017 | 17:03

O país do mais ou menos

Mapa Brasil (Foto: Arquivo Google)

05/05/2017

Blog do Noblat

Dizem que Roberto Campos teria dito que o Brasil não corria o menor perigo de dar certo. Ele tinha razão. O Brasil não tem a menor chance de dar certo, pelo menos no curto prazo. Até lá, até chegar o grande dia, seremos sempre um país às portas de realizar sua vocação de sucesso, mas que vai deixar de fazer o que deve fazer para ser um país de sucesso.

Estaremos então fadados ao insucesso? Acho que, a longo prazo, não. Talvez o parâmetro do sucesso ainda mude e venha a ser mais fácil de ser atingido. O que é certo é que o sucesso não virá logo. Não temos nem hardware nem software para o caminho do sucesso. A par disso, temos a vocação para o efêmero, como na belíssima abertura das Olimpíadas do Rio. Mas o trabalho duro e repetitivo nos desanima. Talvez a vida seja boa demais para ser desperdiçada no trabalho duro. Para muitos, certamente sim.

O caminho do sucesso é obstruído também por outros fatores, entre eles quatro pragas que afligem o país: a corrupção, o corporativismo, a ineficiência e a omissão das elites. Vamos observar cada uma delas, começando pela corrupção.

A Operação Lava-Jato trata da questão da corrupção como nunca antes neste país. Não há dúvida de que seus efeitos já são absolutamente revolucionários e que a forma de fazer política jamais será a mesma. No entanto, seus alcances são limitados, devido, em especial, ao tamanho e à opacidade do Estado e a seu poder sobre a economia do país e, em decorrência, à ineficiência e à cultura da corrupção.

A opacidade e o gigantismo do Estado e da burocracia fazem o pesadelo de quem quer investir no país. A relação do cidadão com o Estado é complexa e subalterna. A burocracia nos oferece a ineficiência e esta promove a corrupção. E a corrupção existe não apenas para se buscar privilégios, mas também para se obter a eficiência que não está legitimamente disponível, por exemplo, na concessão de licenças ou alvarás.

O poder imperial do Estado sobre a economia, a opacidade e a ineficiência formam uma trinca imbatível na cultura de criar dificuldades para vender facilidades. Preventivamente, muitos financiavam políticos para tentar quebrar essa lógica.

O Estado no Brasil dá agora sinais débeis de que será mais eficiente. As corporações, contudo, estão de prontidão para não deixar isso ocorrer. Lutam pelo interesse corporativo em detrimento do bem comum. A política, que deveria estar lutando por esse bem comum, preocupa-se em se perpetuar. Ou seja, prevalecem os interesses das castas de políticos e de burocratas acima do interesse geral.

A própria Justiça que empreende a revolução da Lava-Jato é omissa em combater os privilégios que oferece a seus membros. Tampouco é transparente em mostrar a verdade das entranhas do seu funcionamento à cidadania.

Mas a lista de pragas não para por aqui. Outra delas é a brutal omissão do setor produtivo no debate das agendas nacionais. Enquanto as centrais sindicais vão às ruas contra as reformas modernizadoras das relações no trabalho, o grande empresariado assiste de longe ao desenrolar dos acontecimentos. Assim como foi omisso em organizar uma agenda de modernização do Estado.

Muitos empresários preferiram se organizar para defender seus interesses específicos, mas nunca usaram do seu poder de influência em favor de uma agenda de modernização do Brasil. Essa vergonhosa omissão impõe um grave custo a nosso futuro, já que as forças empreendedoras são propulsoras do avanço econômico e social de um país. Quando os empreendedores se voltam apenas para a própria agenda específica, perdem todos.

Sem empreendedores não há investimentos, nem empregos, nem salários, nem impostos. Regra básica ignorada no Brasil, onde muitos vivem – tal qual mariposas – voando em torno do holofote do Estado. Que não brilha para iluminar, e sim para queimar as asas dos que chegam perto.

Voltando ao ponto inicial, estamos fadados, no curto prazo, a ser um país do mais ou menos. Pode-se ter certeza disso quando a grande imprensa lança dúvidas sobre a necessidade de se reformar a arcaica legislação trabalhista. Logo a imprensa, que é coalhada de terceirizados e “pejotizados” e conhece o peso paralisante de um modelo que não propõe empregabilidade.

O país do mais ou menos será igualmente assegurado por juros siderais que não se justificam de maneira nenhuma. Sem crédito, uma nação não se desenvolve. É como a falta de adubo.

Enviado por Murillo de Aragão 05, maio, 2017 | 13:03